28 setembro 2010

Feliz Ano Novo, Paulinha!

Entrei em uma fase de vida estranha. São tempos de se despedir de velhos hábitos, modificar antigas posturas e retirar do cotidiano o que não faz mais sentido. Nessa toada, vamos retirando o que incomoda e, com isso, somos obrigados a encarar o vazio que nos pertence.

Olho agora para dentro de mim e percebo que tenho espaço sobrando para incluir coisas novas. Então, passei a procurá-las, não na sede de alimentar o vácuo mas na esperança de conquistar inéditos desafios.

Saber um pouco mais de mim, dos meus anseios e necessidades. É nisso que concentrarei minha atenção nesse ano novo que se inicia. Que a fase em que entro agora seja reveladora, próspera e agregadora.

26 setembro 2010

NASCIMENTO

Nasci das cinzas do mundo
Para este mundo adentrar,
Não sou espesso nem profundo
Mas tenho muito o que falar.

Nasci do choro das moças
Que morreram sem se casar,
Carentes de amor e de prazer
Fizeram-me este mundo conhecer.

Nasci dos gemidos dos sofridos,
Conhecedores da fome e da desgraça,
Colocaram-me no mundo
Em estado de graça.

Nasci aos passos do apocalipse,
Aguardando o fim do mundo.
Transformei a vida em poesia,
Derramei amor em tudo.


Paulinha, 28.10.98

27 agosto 2010

Favela, favela, favela

Quando lá cheguei não fazia frio, nem calor. Era uma temperatura amena, com um sol claro e brisa constante. Ele veio me receber do lado de fora, local seguro, como me instruiu.

Nos cumprimentamos. Cada vez mais acho que as pessoas aparentam a profissão que têm e nesse caso não foi diferente. Guilherme tinha mesmo cara de gerente de banco. Chegou sorridente, um pouco esbaforido, sem esconder a ansiedade que sentia da situação. Acredito que me encontrar, sorrindo e satisfeita, o tenha deixado mais calmo.

Na entrada, obras. Um pouco de lama no chão. Pessoas e motos indo e vindo. Olhares curiosos, gente apressada, um bêbado cambaleante, lixo. E eis que cheguei! Cerca de 300 metros favela adentro, a associação dos moradores de bairro com computadores empoeirados, um pequeno balcão e as caixas para as cartas deixadas pelo carteiro. Na outra porta, do lado esquerdo para quem olha, a entrada do projeto social que tenta dar uma trégua no universo miserável que o cerca. No meio, uma agência bancária.

Foi pelo banco que estava ali. E as pessoas que conheci e as coisas que vi me deixaram feliz de estar lá. Comi um feijão preto maravilhoso na menor casa que já dividi com tantas pessoas. Vi crianças lindas, negros fortes, mulheres bundudas e fuzis. Uma porção deles, ostentados com orgulho e recebidos com temor e respeito.

Não senti medo, senti foi pavor. E fiquei inconformada de ouvir que as pessoas estavam acostumadas a viver assim. Depois de três dias, entendi! Cada entrada minha na favela e era um festival de olás, ois e tudo bem. Tirando cumprimentos educados no elevador, meus vizinhos nem sabem quem sou. Lá, já me chamavam pelo nome ou de "paulista" a cada passo, com bons dias e boas tardes e sorrisos, dois dias depois. Crianças, adultos, velhos. E, quando me deparei no paraíso, as armas me lembraram que ainda nem havia passado do purgatório.

Entre vários pensamentos o que mais me apeguei foi de que existem muitos mundos, bem além dos nossos quintais e sonhos de consumo. Existem pessoas que vivem como se fosse impossível, sequer, sobreviver. E que a felicidade é muito mais subjetiva do que podemos medir e comprar. Ela estava lá, dividindo espaço com o medo, a ilusão de segurança e a esperança de que o amanhã melhore a paisagem e coloque comida no prato.

Procurando...

Venho perdendo a poesia
nos termos e na semântica
na graça e na ousadia
entre um caminho e outro

Na estrada há muito
cansada vão minhas pernas
e suado meu corpo

Quero o cheiro doce do mar
e a sutil brisa a me refrescar
cores, casas e amores
para ter com o que me preocupar

Em tantos sonhos tantos enganos
que eu nem consigo mais contar
e me adianto no curso
pensando no absurdo que é cegar o olhar.

Paulinha (sem data, mas de 2010)

23 agosto 2010

CONTEMPLAÇÃO

Quantas vezes me peguei
Admirando a noite
O céu escuro, as estrelas
Sua majestade, a Lua
Tentando entender o silêncio
Compreender o vento
Encontrar o tempo
Ouvindo o triste cantar da cigarra.

Quantas vezes admirei
A beleza mística e misteriosa
Da noite que antecede o dia
Que completa o ciclo
Do claro - escuro, da realidade - fantasia.

Paulinha, 30/04/99.

21 agosto 2010

ESCOLHAS

Vivemos a escolher e errar
E escolher e acertar
E apostar e perder
E chorar, se comover.

Vivemos escolhendo e reclamando
Esperando e cansando
Lutando e servindo
Tentando e se decepcionando.

Vivemos fazendo escolhas
Que podem nos levar a nada
Como podem nos trazer tudo
Mesmo assim nos descuidamos.

Como escolher certo sem saber do amanhã ?
Como acertar se não errarmos ?
Como crescer se não perdermos ?
Como viver se não amarmos ?

Escolher o certo desconhecendo o errado
Escolher o incerto ante à dúvida
Temer a derrota frente ao fracasso
Escolher a vida entre o certo e o errado.

São tantas escolhas
Do nascer até o morrer
Escolher o quê ?

Paulinha, 08/12/99

14 agosto 2010

A PÓLVORA

A pólvora,
No palito,
É um grito,
Do fogo.

A pólvora,
No artifício,
É um grito,
De festejo,
Do povo.

A pólvora,
Na bomba,
É um grito,
De socorro!

Paulinha 10/04/04

13 agosto 2010

Agora sou feliz

Agora sou feliz.

Sou feliz porque não mais analiso meu passado com nostalgia,

Nem projeto meu futuro baseada em utopia.

Vivo cada dia.

E sou feliz,

Um pouco,

Todo dia.


(fev/2004)

27 abril 2010

Mosaico de amores

Coração grande deixa escapar mágoas e arquiva alegrias
Olha para trás com olhos de saudade, mas sem melancolia
Sorri pelo que viveu e sente o aroma doce do que sentiu
Tem boas lembranças, sabor de manga

Fecho os olhos e me vejo em outros tempos, outras luas
Entendo que o passar dos anos é o cultivar dos campos
Que viver amores é como sonhar com cores
Porque relembrar o amor é amar de novo...

26 janeiro 2010

Abandonados estamos

Hoje, vindo trabalhar, fiquei triste com o descaso do poder público aos habitantes da cidade de SP. Em cada um dos três viadutos em que passei era possível contar mais de dez moradores. No vão que seria canteiro da av. dos Estados existe, pelo menos, oito "mocós", ou "puxadinhos" construídos em madeira de caixote, com as laterais do canteiro fazendo o papel de paredes. Em uma delas é possível avistar ainda um pote plástico com três flores de papel decorando o teto do que mais parece uma casa de cachorro superdimensionada. Agora, olho os jornais online depois de mais uma chuvarada daquelas e a sensação de abandono me invade novamente.

O prefeito, Gilberto Kassab, só sabe dizer que "está chovendo muito" e nosso excelentíssimo governador e pré-candidato à Presidência da República, sobrevoou de helicóptero alguns pontos alagados. Nenhuma medida de emergência foi anunciada, nenhum plano para evitar estragos maiores foi discutida.

Abandonados estamos e abandonados continuaremos. O que fazer?

PS: Aos amigos do ABC paulista, meus préstimos. Os governantes municipais de lá não estão se saindo melhores, principalmente quando acobertam, por anos, grilagem em área de manancial.

25 janeiro 2010

vertigem

O fantasma do passado alimentado por desejos estranhos de retornar àquilo que não queríamos antes e por isso nos afastamos.

Não preciso estar só para me sentir só.

23 janeiro 2010

pequenos poemas

Revi fotos, embrulhei presentes.
Ouvi música e escovei os dentes.
Cantei canções ultrapassadas, andei por ruas esburacadas, pedi conselhos a pessoas desalmadas. Comi granola, nunca pedi esmola, segui de carona e cheguei na areia.
Sentei na praia, respirei fundo e entendi que o mundo é todo feito de pequenos poemas.

08 janeiro 2010

tenho vontade...

de gritar, alto, mas tão alto, que até os anjos se assustariam

de cavar um buraco bem fundo e entrar nele e ficar ali, quietinha

de pegar parte das minhas coisas e sumir no mundo

de xingar tudo e todos e afirmar categoricamente que a vida, o mundo e as pessoas são todos uns merdas!

de que tudo isso passe logo porque, no fundo, eu acredito na humanidade e na alegria, só não consigo encontrá-los no momento...

05 janeiro 2010

Talvez

talvez estejamos equivocados, com as ilusões desfragmentadas e as mãos calejadas

talvez estejamos confusos e ansiosos, querendo muitas coisas e não abandonando nenhuma no caminho

talvez estejamos livres demais, preocupados de menos e acabamos nos descuidando do pouco que temos

só que entre confusões e desencontros, verdades incontáveis e mentiras justificáveis, existe amor

22 dezembro 2009

a gente se mistura na vida, nos caminhos, nas risadas, no aconchego, na brincadeira, na bebedeira, no agito, na balada, no campo, na praia, nos parques da cidade.

a gente se mistura com tudo que tem cheiro, sabor, aroma, melancolia, algazarra e energia.

a gente se mistura porque ama, sofre, acompanha, ri, chora e adora estar vivo!!!!

por todas as misturas possíveis eu dou um VIVA!!!

10 dezembro 2009

Mundo pequeno, pequeno mundo

A cidade é grande, enorme. A região metropolitana, maior ainda. E, quanto mais o tempo passa, mais descubro que a grandeza física é ínfima em comparação com a verdadeira distância que separa as pessoas.

Elas se conectam umas às outras de uma forma que sempre me surpreende. Conheço alguém hoje e descubro logo ali na frente que essa pessoa já é amiga de amigos, ou trabalhou com algum colega querido, enfim... Pequeno mundo, mundo pequeno.

03 dezembro 2009

Um pouco de mim...

Entre qualidades e defeitos, acho que ando pela rua do meio.
Embora em mim nada seja discreto ou certeiro, tenho um misto de curiosidade e covardia, regado com desleixo.
Sou toda sorrisos por fora e uma criança por dentro. Tristeza e felicidade para mim são uma única coisa - elas apenas revezam entre si.
Procuro a alegria em vez da felicidade. Quero o riso ao choro, mas nunca me faltam as lágrimas. Sou um doce desengano com uma amargura verdadeira.
Quero mil coisas e abro mão de todas elas por um amor verdadeiro. Dura por fora, romântica por dentro.
No fio e no pavio da vida, sou a chama que segue a fagulha e queima o celeiro inteiro. Faço e não penso, pois se penso não faço.
Explico e ensino, aprendo e questiono, mas não aceito nada imposto porque a verdade flui com naturalidade e não precisa ser forçada.
Aceito a diversidade, receio a maturidade e acredito em pessoas de qualquer idade!

02 dezembro 2009

Inveja

Sim, eu sinto inveja! E vou assumir isso aqui, publicamente.

Sinto de inveja dos grandes escritores:

Machado de Assis, sinto uma inveja de sua ironia fina;

Fernando Pessoa e seus "eus", sinto uma inveja monstruosa do seu poder com as palavras e da sua loucura de ser um e ser três;

Nelson Rodrigues e Plínio Marcos, sinto inveja do poder de vocês de conseguir descrever os mais baixos sentimentos e estilos de vida humanos;

Stephenie Meyer, sinto inveja de você ter escrito um livro de fantasia delicioso que vendeu mais de 50 milhões de cópias e que foram transformados em filmes que arrecadaram bilheterias impressionantes!

Sinto inveja das grandes personalidades:

Gandhi e seu poder político baseado nos predicados paz e amor;

Jesus e sua mensagem que dura mais de 2.000 anos;

Buda e seu equilíbrio rumo ao Nirvana.

Sinto inveja das mulheres muito bonitas, dos corpos perfeitos e do namorado maravilhoso delas!

Enfim, sinto inveja de quem pode morar numa praia paradisíaca com conforto, de quem fala fluentemente mais de cinco idiomas, de quem conhece mais de 30 países.

Agora vou ficar quietinha num canto esperando toda essa inveja passar porque tudo isso é uma grande porcaria! Invejar não me ajuda em nada, nunca!!!

28 novembro 2009

A revolta da PM paulista

Recebi este e-mail e achei ótimo! Adoro pessoas que chutam o pau da barraca.

*REGRAS PARA UMA ABORDAGEM FELIZ.
(supostamento escrito por um PM muito injuriado com a vida profissional dele)

1. A PM não sai por aí encostando playboy na parede por que gosta. Mas porque o serviço tem de ser feito. Então, quanto mais você enrolar, mais tempo vai demorar a abordagem.

2. Pra quem não quer levar os tradicionais chutinhos no tornozelo a receita é simples: basta abrir as pernas num ângulo mínimo de setenta graus.

3. Nós fiscalizamos o trânsito, sim. Mas nossa prioridade é o crime. Quem prioriza o trânsito é o DETRAN. Então, quando for parado por uma equipe da PM, não venha tirar documentos do bolso antes que o policial determine. Um movimento precipitado e você pode tomar um tiro nessa sua carinha de criado com a vovó. É muito simples: primeiro verificamos se você não está portando armas ou drogas, depois verifica-se quem você é e o seu veículo.

4. A merda do seu carro "tunado", apesar da papagaiada toda, não é único ou exclusivo. Existem muitos iguais a essa porcaria. E esses muitos outros são conduzidos por criminosos. Então quando for parado, não quer dizer que o policial está te perseguindo, ou está com inveja dessa merda. Ele te parou porque você pode ser um bandido, ou seu veículo é igual ao que foi usado num crime qualquer.

5. Para as mulheres: quando a porra do teu namorado for pra parede, não atrapalhe. Fique no local onde foi determinado e espere o fim da abordagem, de preferência em silêncio.

6. Maconha ainda é droga ilícita, e usá-la ainda não está permitido. Então, não reclame!

7. Sempre dizem: VAI PRENDER BANDIDO. Pedimos também que indiquem onde eles estão, e se possível nos acompanhe a delegacia, na condição de testemunha.

8. Em vários locais já ocorreram crimes chamados seqüestro relâmpago, inclusive nesta cidade. Por isso, quando tu tá no carro com a porra da tua namorada e mais 4 boiolas juntos, nós abordamos por imaginar poder se tratar de um desses crimes. Portanto, coopere, desça do carro com as mãos na cabeça e peça pros teus amiguinhos fazerem a mesma coisa.

9. Deixe essa sua carteirinha de OAB guardada na sua carteira ou em casa. Se eu quiser saber tua profissão eu vou perguntar e você apenas vai me responder. Advogado não é autoridade, é um profissional liberal, como um dentista ou pedreiro, e PM não tem medo. Fórum é pra ir mesmo. Boa parte dos Policiais hoje também são bacharéis iguais a você. Por sinal, os cursos de formação da PM chegam até botar muita faculdade de direito de fundo de quintal no bolso.

10. O famoso "mão pra cabeça" é uma ordem legal que tem auto-executoriedade, ou seja, nós podemos parar quem quer que seja segundo nosso poder discricionário e realizar uma busca pessoal, sem necessitar de mandado específico, o que você já deveria saber, sendo que se diz formado em direito.

11. Carro não é extensão de domicílio, exceto se você morar nele, portanto TAMBÉM não precisa de mandado e será primeiro revirado e depois> fiscalizado e quem sabe autuado e apreendido.

12. Mantenha-se calado durante a abordagem! A sua opinião não interessa a ninguém!

13. Também não interessa saber quem é seu pai, mãe, outro parente ou quem você conhece. Exceção feita as suas irmãs. Se forem melhoradas, me apresenta!

14. Não temos inveja de sua condição social ou da porcaria do seu carro; apenas estamos trabalhando em prol da sua segurança. Então sempre agradeça-nos ao término da abordagem, lembrando sempre de dizer: MUITO OBRIGADO SR POLICIAL! EU AMO A PMESP!!!

> > SIGA ESSAS REGRINHAS SIMPLES E TODOS SERÃO FELIZES!
> > POLÍCIA MILITAR, PELA PAZ E SEGURANÇA!!!

Porque com certeza sabemos que somos odiados pela maioria de vocês... Mas, ao mesmo tempo, sabemos que qualquer situação, por mais simples e besta que seja é para o número 190 que voces vão ligar...

27 novembro 2009

Quase...

É quase Natal e o ano está quase acabando.

Chegamos na fase do quase. Em 2009...

quase consegui melhorar de vida;

quase casei;

quase consegui aumento;

quase curti os finais de semana;

quase consegui emprego melhor;

quase comprei alguma coisa de valor;

quase me livrei dos chatos;

quase realizei meus sonhos;

quase cumpri as promessas de fim de ano;

quase fiz sexo a três;

quase arrumei um amante;

quase me hospedei num hotel cinco estrelas;

quase me dei bem na vida!

Que venha 2010! Quem sabe ano que vem eu quase chegue lá...

Quase!